Relação entre mobilidade acadêmica internacional e inovação
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Relação entre mobilidade acadêmica internacional e inovação

Relação entre mobilidade acadêmica internacional e inovação: Impactos nos países de origem e destino dos pesquisadores

Paulette Siekierski

Orientador(a): Manolita Correia Lima

Co- Orientador(a): Felipe Mendes Borini

O objetivo central desta tese foi entender a relação entre mobilidade acadêmica internacional (MAI) e inovação, e seus impactos nos países de origem e de destino dos pesquisadores. Para isso o trabalho desenvolve três artigos diversos e complementares com metodologias específicas através das quais aprofunda aspectos relevantes da discussão proposta. O primeiro artigo teve como objetivo realizar uma meta-análise afim de entender a relação entre MAI com variáveis, proxies de inovação e seus impactos nos países de destino, de origem, e de destino e origem simultâneamente dos pesquisadores. Após a elaboração de um rigoroso protocolo de pesquisa a partir de 36 artigos selecionados em 15 top journals das bases Scopus e ISI Web of Science, foram localizadas 20 variáveis, dentre as quais cinco de inovação, com impactos positivos, negativos ou nulo para os países. O estudo traz contribuições para a academia na medida em que a MAI gera inovação através do desenvolvimento de redes de pesquisa, do incremento das publicações com melhor qualidade, do aumento de citações, além da geração de parcerias entre universidades, indústrias e laboratórios que podem trazer melhorias à educação e ciência. Conhecer os tipos de inovação que a MAI gera possibilita aos governos que desejam investir no desenvolvimento científico-tecnológico, econômico e social escolher as melhores medidas de atração e retenção de cérebros. Para a indústria o catch-up tecnológico e a mão de obra altamente qualificada significam aprimoramento da competitividade e capacitação, crescimento da pesquisa e desenvolvimento (P&D), desenvolvimento de novos produtos, depósito de patentes, maiores investimentos e expansão da internacionalização. A segunda pesquisa teve como propósito verificar qual fator é preponderante para a decisão de MAI: o impacto da infraestrutura de ciência, tecnologia e inovação (CTI) ou da qualidade de vida no país hospedeiro. Desse modo, o objetivo do artigo foi verificar se fatores relacionados à infraestrutura de CTI e qualidade de vida estão associados à MAI dos recursos humanos em ciência e tecnologia (RHCT) e quais deles têm maior peso na decisão de mobilidade. Foi analisada a relação da mobilidade dos acadêmicos com a presença de journals de impacto e prestígio, instituições de P&D, como proxies de CTI, e o índice de desenvolvimento humano (IDH), como proxy de qualidade de vida. A metodologia foi quantitativa por meio de uma técnica estatística descritiva confirmatória  de regressão linear múltipla. Foram usados dados de fontes secundárias da OECD, UNESCO, World Bank, Global Innovation Index, United Nations Development Programme. Os resultados mostraram a preponderância da infraestrutura de CTI sobre a qualidade de vida. Todavia, embora, a primeira tenha uma importância maior  para explicar a mobilidade dos acadêmicos é necessário que as duas figurem conjuntamente. A contribuição acadêmica reside na preponderância à infraestrutura de CTI, mas associada à qualidade de vida. A contribuição para os Estados reside na necessidade de garantir ambas as condições para a atração dos acadêmicos. Para os gestores de universidades ficou clara a necessidade de um investimento maciço em CTI. O terceiro estudo teve como finalidade investigar a relação entre depósito de patentes, indicador de inovação, com MAI, educação e pesquisa aplicada. Para tanto, foi realizada uma coleta de dados de bases primárias do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) e secundárias da Plataforma Lattes, Linkedin, e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). As duas primeiras universidades brasileiras do ranking de patentes de 2014 do INPI foram a Universidade de São Paulo (USP), com um universo formado por 282 inventores que depositaram 78 patentes seguida pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) com um universo formado por 190 inventores que depositaram 60 patentes. Os resultados revelaram existir uma relação positiva entre o número de patentes depositadas com educação, participação em programas de MAI e pesquisa aplicada.