My family and friends are worth their weight in gold
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My family and friends are worth their weight in gold

My family and friends are worth their weight in gold: Consumer financial decision-making in the context of Brazil

Rafaela Almeida Cordeiro

Orientador(a): Mateus Ponchio

A tomada de decisão financeira do consumidor é uma questão importante em todo o mundo. Nesta pesquisa, esse tema é investigado por meio das abordagens qualitativa e quantitativa. Com base no conceito de capital social, o estudo qualitativo explora o fenômeno da vulnerabilidade financeira no Brasil sob a perspectiva do jeitinho—sob a forma de resolver situações por meio de relacionamentos pessoais. A análise de 21 entrevistas em profundidade fornece um contexto único para mostrar como o jeitinho molda o mercado e as práticas de consumo, criando um ciclo de dependência e vulnerabilidade financeira que se reforça mutuamente. A abordagem socioecológica destaca como as interações entre características pessoais (micro sistema) e práticas de mercado e estruturas sociais (meso e macro sistemas) podem levar os indivíduos a experimentar ou evitar a vulnerabilidade financeira. Os valores típicos dos brasileiros também foram utilizados para explicar comportamentos de gestão financeira, resistência e responsabilidade do consumidor no mercado. Os resultados fornecem insights para entender a vulnerabilidade financeira a partir de uma perspectiva cultural: mostrando que os consumidores se endividam para sustentar seus relacionamentos—às vezes até os usando como uma desculpa para justificar o consumo hedônico—e que as empresas aproveitam essa reciprocidade social em suas práticas de mercado, perpetuando o ciclo de dependência e vulnerabilidade. A dinâmica de empréstimos entre parentes e amigos é, então, explorada no estudo quantitativo. O quadro teórico inclui literatura sobre materialismo, autocontrole e o uso de crédito. Uma pesquisa do tipo survey com 997 brasileiros foi realizada para testar duas hipóteses. As evidências sustentam que: indivíduos mais materialistas são mais propensos a pegar dinheiro emprestado de parentes e amigos (H1) e indivíduos com alto nível de autocontrole dos gastos são menos propensos a pegar dinheiro emprestado de parentes e amigos (H2). Os resultados sugerem que tanto o materialismo quanto o autocontrole dos gastos predizem o comportamento dos empréstimos. Implicações para políticas públicas e sugestões para pesquisas futuras são apresentadas.