Mulheres e Memórias em Miyazaki
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Mulheres e memórias em Miyazaki

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Mulheres e Memórias em Miyazaki: o consumo da estética híbrida e transgressora do cinema de animação de Hayao Miyazaki

Lilia Nogueira Calcagno Horta

Orientador(a): Monica R F Nunes

As narrativas fílmicas do diretor de animação japonês Hayao Miyazaki – tema da presente pesquisa – expõem algumas questões que envolvem a vida em sociedade ao questionar situações e estereótipos através da sua estética híbrida, e principalmente por meio das suas personagens femininas. Desta forma, tomamos como objeto teórico o consumo da estética híbrida – na qual se encontram as personagens femininas – e das camadas de memória aí implicadas. Nesse sentido, esta investigação tem como objetivo geral identificar a composição das representações femininas e como se dá o caráter transgressor das mesmas. Adotamos como objetivos específicos: compreender como surgiu o gênero animê e contextualizar o percurso de Hayao Miyazaki como diretor de animação. Entender de que forma as obras de Hayao Miyazaki estão inseridas em um contexto de produção e consumo midiático, demonstrando negociações feitas entre o diretor e indústria de animação. Verificar de que maneira é construída sua estética, a partir da memória textual e análise da composição dos cenários, das personagens, do enredo, do figurino e outros aspectos. Analisar como se compõem as representações femininas nas obras de Hayao Miyazaki e, por fim, verificar como as personagens femininas produzem uma representação de memória que subverte a memória do que entendemos como mulher japonesa. Para tal, é feita uma análise a partir de um corpus de dez obras roteirizadas e dirigidas pelo diretor [Ponyo: Uma Amizade que Veio do Mar (2008), O Serviço de Entregas da Kiki (1989), O Castelo Animado (2004), Princesa Mononoke (1997), Meu Amigo Totoro (1988), Porco Rosso: O Último Herói Romântico (1992), Nausicaä do Vale do Vento (1984), Vidas ao Vento (2013), A Viagem de Chihiro (2001), O Castelo no Céu (1986)]. De modo a destacar as personagens mulheres, formulando um quadro metodológico dividindo-as em seis fases: crianças, garotas, jovens, adultas, mães e idosas. Valendo-se dos pilares basilares: consumo e comunicação; memória; mulheres, foram adotadas pesquisas bibliográficas e documentais, mobilizando autores como Lotman, Le Goff, Halbwachs, Pollak, Canclini, Rocha, Martel, Miyazaki, Luyten, Barbosa Júnior, Sato, Louro, Hane, entre outros, com diferentes aportes teóricos. Os resultados demonstram que o diretor desperta, através de suas mulheres e sua estética híbrida, um pensamento crítico no qual se faz possível questionarmos a respeito de aspectos concretizados pela sociedade e pensarmos na possibilidade de mudanças e recomeço.

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