Moda, Consumo & Biossociabilidade
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Moda, Consumo & Biossociabilidade: Convocações para a gestão do corpo diferente em narrativas publicitárias de moda

Luiza Ribeiro Merten

Orientador(a): Tania Hoff

Esta pesquisa elege como tema os discursos sobre o corpo diferente em narrativas publicitárias de duas grandes redes varejistas de moda brasileiras, produzidas e veiculadas entre 2012 e 2015. A partir da investigação do discurso de cadeias varejistas de moda, levando em conta suas condições de produção, buscou-se nesse trabalho responder à questão-problema: como as narrativas publicitárias de moda convocam para a gestão do corpo diferente à luz da noção de biossociabilidades do consumo? Com o objetivo de problematizar o fenômeno do consumo, em especial no âmbito da moda, desenvolvermos uma reflexão a respeito da gestão do corpo diferente no discurso publicitário contemporâneo, a partir da conduta teórico-metodológica da Análise de Discurso de linha francesa. O referencial teórico organiza-se em três eixos: o primeiro refere-se às interfaces Comunicação e Consumo na contemporaneidade – para o qual buscamos aporte em autores como Silverstone, Baccega, Hoff e Rocha; o segundo refere-se à Análise de Discurso de linha francesa, e está construído a partir de autores como Gregolin e Orlandi; e o terceiro considera o Corpo, a Moda e a Biossociabilidade. Neste eixo, partimos de alguns estudiosos do pensamento de Foucault, como Rabinow e Ortega, os quais, apoiando-se nas reflexões do filósofo, propõem o conceito de biossociabilidade e também em Hoff, que propõe reflexões sobre as biossociabilidades do consumo. Nosso objeto empírico são as convocações para a gestão do corpo diferente, analisado num corpus composto por oito vídeos publicitários das marcas C&A e Marisa, que tivessem imagens de “corpo diferente” e nos quais a diferença fosse enunciada. Em nosso percurso metodológico, descrevemos os oito vídeos, identificando os principais signos relativos à beleza física das consumidoras-personagens e seu estilo de vida expresso na narrativa. Também mapeamos os sentidos atribuídos ao corpo diferente e as convocações para a gestão deste, caracterizando estratégias de produção de sentidos da diferença em imagens de corpo fora do padrão estético na narrativa publicitária, que relacionamos à memória discursiva e ao interdiscurso. E, a partir da identificação dos ditos e não-ditos, investigamos as convocações para gestão do corpo diferente na contemporaneidade – padrões de beleza/magreza; conquistas pessoais/carreira; afirmação/representação de grupos/capital simbólico –, à luz do conceito de biossociabilidade. Em nossa análise, relacionamos a presença e a exaltação dos corpos diferentes nessas narrativas às mudanças sociais e econômicas do Brasil contemporâneo, observando, por um lado, o interesse econômico das marcas por novos públicos consumidores e, por outro, a disputa simbólica que se dá nos enfrentamentos dos discursos na mídia, notadamente críticas e debates, por parte dos consumidores, sobre o modo como a mídia edita o mundo – movimentos que “pressionam” a narrativa publicitária da moda a se ressignificar ou alterar suas estratégias. Os resultados alcançados evidenciam que: 1) as convocações biopolíticas engendram lógicas do consumo; 2) as narrativas publicitárias de moda promovem biossociabilidades, à medida que institucionalizam o modo de vestir e convocam para a gestão dos grupos cujos corpos denominamos diferentes.

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