Influência de estilos de vida associados a hábito alimentares no consumo de pratos prontos
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Influência de estilos de vida associados a hábito alimentares no consumo de pratos prontos

Influência de estilos de vida associados a hábito alimentares no consumo de pratos prontos: Estudo comparativo entre São Paulo e Roma

Paulette Siekierski

Orientador(a): Mateus Ponchio

A pergunta central que este trabalho procura responder é: como estilos de vida associados a hábitos alimentares influenciam o consumo de pratos prontos? Sabe-se que mudanças no estilo de vida de indivíduos do mundo ocidental têm aumentado a demanda por conveniência na preparação das refeições. Consumidores trabalham mais horas, gastam mais tempo no trânsito e desejam maximizar o tempo de lazer cada vez mais limitado; exigem, assim, produtos e serviços que facilitem e apoiem a vida agitada (OLSEN, 2010). Como reação a essa demanda, a indústria alimentar tem expandido suas opções de refeições prontas (GEEROMS et al., 2008). Nesse contexto, os objetivos desta pesquisa são: analisar a influência de variáveis sociodemográficas na escolha do produto alimentar pronto; estudar a importância da orientação para a saúde, sabor, conveniência e tradição no consumo de pratos prontos; e comparar hábitos alimentares de pratos prontos de consumidores de São Paulo e de Roma. São revisadas as literaturas de estilo de vida, multiculturalismo, hábitos alimentares e consumo de pratos prontos. Neste processo, as escalas de mensuração desenvolvidas e validadas no exterior julgadas mais promissoras para este estudo foram adaptadas para o contexto em questão. Foram configurados instrumentos eletrônicos de coletas de dados, acessíveis via link enviado por e-mail para residentes em São Paulo e em Roma. Obtiveram-se 200 questionários válidos de São Paulo e 155 de Roma. De acordo com os resultados, os consumidores das duas cidades apresentam diferentes estilos no tocante à alimentação.  Estudo de Vanhonacker et al. (2010) indica que populações mais idosas do sul da Europa são tradicionais no tocante à alimentação. Similarmente, neste  trabalho, consumidores de Roma apresentam maior preocupação com a tradição e saúde, comparativamente a São Paulo. Para Askegaard e Madsen (1998), as culturas germânicas são mais preocupadas com a saúde, sendo que na Itália importaria o elemento sensorial. Este estudo indicou que, em São Paulo, há maior ênfase na conveniência e no sabor. A dimensão sabor encontra suporte no antropólogo Da Matta (2001), na observação de que um dos mais importantes espelhos sociais brasileiros é a comida, havendo o que denomina de “código da comida” que exprime teoricamente a sociedade. Segundo esse autor, para o brasileiro, o “saber comer é muito mais refinado do que o simples ato de alimentar-se” (2001, p. 55). A cidade de São Paulo orgulha-se de ser um pólo gastronômico e muitas das atividades sociais do habitante da cidade se dá em confraternizações que envolvem a alimentação. Portanto, a dimensão sabor é facilmente explicável. Simultaneamente, a dimensão conveniência é suportada por outra característica da cidade: o fato de ser um grande centro urbano. Maluf (2001) indica que as circunstâncias da vida contemporânea e os impactos da propaganda têm alterado a forma de aquisição e de consumo dos alimentos, destacando a relevância dos alimentos preparados na cidade de São Paulo. Como limitação deste estudo, destaca-se o critério de amostragem por conveniência. Acredita-se que os resultados apresentados possam ser relevantes tanto para o desenvolvimento de novos produtos como para o posicionamento de produtos e marcas atuantes nesses mercados, ou, ainda, para identificar novos segmentos de mercado ou compreender diferentes gerações de consumidores.