Entre o olhar da pobreza e o som da ostentação
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Entre o olhar da pobreza e o som da ostentação

Entre o olhar da pobreza e o som da ostentação; o consumo de narrativas midiáticas do funk ostentação por crianças em contextos de vulnerabilidade social.

Aline da Silva Borges Rezende

Orientador(a): Rose de Melo Rocha

No circuito cultural do funk ostentação, a periferia transborda e esmaece as delimitações territoriais, possibilitando transpor, pelas vias imaginárias das canções e das estéticas audiovisuais desse gênero musical, a realidade  de pobreza  vivida por crianças e jovens periféricos  para o universo simbólico do consumo de luxo. É com este panorama  contextual que esta pesquisa objetiva investigar os usos e os modos  de apropriação das narrativas midiáticas do funk ostentação por um grupo de crianças , de 6 a 12 anos de idade, moradoras da maior favela sobre palafitas do Brasil, a saber, a comunidade do Dique da Vila Gilda, em  Santos, município litorâneo  de São Paulo. Partindo das reflexões  teóricas  sobre periferias, infâncias e vulnerabilidade social, articuladas aos estudos sobre narrativas de entretenimento  e consumo midiático, em  consonância com os conceitos da bastardia, escuta musical, paisagens sonoras, performatividade e mimese na cultura, esta pesquisa  empenha-se em explorar contextos específicos  de recepção do funk ostentação, bem como os circuitos culturais  e sociais  que engendram esse gênero musical. Assim, o estudo problematiza  se as expressões que aludem aos imaginários do consumo, à celebração e á projeção social, incutidos  nas produções do funk ostentação, corroboram para a manutenção  de um status quo capitalista  e excludente ou, de alguma maneira, refratam a realidade de pobreza e precariedade vivenciada por essas infâncias.

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