Discurso da criatividade
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Discurso da criatividade

``Discurso da Criatividade - Lógicas de produção, convocações para o consumo e gestão de si``

Adriana Lima de Oliveira

Orientador(a): Tania Hoff

O presente trabalho traz uma análise do discurso da criatividade e suas estratégias de convocação para o consumo e para a gestão de si presentes de modo intenso nos processos comunicacionais da sociedade contemporânea. Considerando as transformações no cenário político e econômico do capitalismo maduro e a consequente intensificação das relações e trocas em um mercado que se mostra cada vez mais flexível e líquido, os discursos da criatividade e seus regimes de visibilidade podem ser entendidos como convocações biopolíticas?Com base neste questionamento, investigamos como se dá a lógica de produção desses discursos em um contexto em que se promove a criatividade como ativo econômico e social, pois temos como hipótese que o discurso econômico [enunciável], classifica e traduz a criatividade [objeto] e o criativo [sujeito] que se materializa no mercado [visível] sob a perspectiva neoliberal. Assim, a partir desse novo status [ser criativo], o sujeito está apto a buscar novas formas de agrupamento, passa a ter um capital [conhecimento] criativo [qualificado]. Para tanto, elegemos o discurso governamental  omo exemplar para esta análise e uma filiação teórica a partir dos conceitos de discurso e biopolítica propostos por Michel Foucault, articulados aos estudos de comunicação e consumo. Diante de tal empreendimento, três lentes de análise foram mobilizadas nesta trajetória: o discurso, o dispositivo e a governamentalidade. No atual estágio do capitalismo que coloca o ‘saber’ no centro do processo produtivo, as pessoas com ideias [pessoas que detêm ideias] apresentam-se mais poderosas do que aquelas que operam máquinas e, em muitos casos, até do que aquelas que possuem máquinas. Mas isso não significa todos incluídos. Há de se questionar esse ideal de ‘sociedade criativa’ na qual a hierarquia teria desaparecido e todos estão aptos a colaborar, uma vez que toma os sentidos do termo inclusão como algo hegemônico, universal e não problemático.

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