De tabardo e espada em punho
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De tabardo e espada em punho

De tabardo e espada em punho: consumo, memória e medievalismo em um grupo juvenil praticante de boffering

Sami Argentino Nappo

Orientador(a): Monica Rebecca Ferrari Nunes

Esta pesquisa tem como tema o Boffering, uma prática juvenil de combates usando armas de inspiração medieval e a (re)criação da Idade Média. Para tanto ele (o boffering) não é entendido somente como um jogo, mas também como uma prática comunicativa, sociocultural e de consumo que faz uso da performance e de rituais. O objeto teórico diz respeito às articulações entre consumo de narrativas midiáticas, processos ritualísticos e performáticos presentes na construção da memória do medievalismo. O grupo juvenil Draikaner constitui-se como objeto empírico. O objetivo geral é examinar a construção da memória de um medieval possível gerado pela prática do boffering, à luz da semiótica da cultura de Tártu Moscou. Os secundários são: aprofundar o conhecimento do Draikaner e sua prática; discutir o consumo das narrativas midiáticas e de materiais presentes no grupo; entender as relações entre as práticas de consumo (as narrativas midiáticas e o próprio boffering) e a Idade Média. O questionamento de como é construída a memória de uma época que eles não viveram e que os influencia a ponto de desenvolverem uma prática inspirada na Idade Média, supondo que essa prática também serve como ‘‘local’’ de consumo, de ritualização e de construção de subjetividades, norteou essa pesquisa. O corpus inclui as observações de campo, analisando os signos materiais e simbólicos que estão presentes na prática do Draikaner, entrevistas com membros, além do material bibliográfico. Para esse estudo foi escolhida a flanêrie, de Mclaren (2000), como metodologia aplicada às primeiras aproximações com o grupo, somada à análise das entrevistas realizadas posteriormente em outro espaço, às observações de campo e à pesquisa bibliográfica. O trabalho está fundamentado em pressupostos teóricos de autores como: Iúri Lótman, Hilário Franco, Umberto Eco, Roger Siverstone, Rose Rocha, Maurice Halbwachs, Johan Huizinga, Roger Caillois, Martine Segalen, João Machado Pais, Michel Maffesoli e Mônica Nunes, entre outros. Espera-se demonstrar que através do processo de semiose esses jovens criam novos significados e com isso concebem uma nova semiosfera voltada à (re)criação da Idade Média, através de uma prática que pode ser entendida como um jogo e uma performance e pelos processos rituais que experienciam.

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