Corpo, consumo e biopolítica
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Corpo, consumo e biopolítica

Corpo, consumo e biopolítica: ``diferentes idênticas`` - convocações midiáticas para um estilo de vida feminino ideal

Renata Presa Hermann

Orientador(a): Tania Hoff

No conjunto dos estudos interdisciplinares que caracterizam o campo da Comunicação, esta pesquisa analisou os enunciados presentes nas capas das revistas femininas CLAUDIA e TPM, a partir da seguinte questão-problema: como são mobilizadas as estratégias de comunicação e consumo nos discursos de convocação biopolítica das revistas mencionadas? Partimos das seguintes premissas para desenvolver uma reflexão sobre as dinâmicas de  produção dos discursos de convocação biopolítica e suas relações com as práticas de consumo: 1) os dispositivos de controle que, originalmente, estavam presentes nas instituições de Estado, na  ontemporaneidade encontram-se inseridos também nos discursos midiáticos; e 2) as produções de sentido geradas pelos discursos midiáticos de convocação biopolítica das revistas estudadas refletem discursos de verdade que se inserem em lógicas próprias de uma formação discursiva com condições de produção específicas. A noção de biopolítica permeará nossa reflexão, dialogando com paradigmas da comunicação e do consumo para mapear as convocações biopolíticas dos corpora, identificar o estilo de vida promovido no âmbito do consumo e problematizar a produção social de sentidos gerada por meio dos discursos de convocação biopolítica na articulação comunicação e consumo. Trata-se de uma pesquisa transdisciplinar, que trabalha com paradigmas teóricos da comunicação, do consumo, da filosofia, da análise do discurso e dos estudos do corpo. Autores como Prado, Hoff, Sibilia, Bruno e Silverstone fundamentam nossa reflexão sobre as convocações midiáticas; Canclini, Douglas & Isherwood  e Rocha nos auxiliam nas noções sobre consumo; Brandão e Orlandi nos guiam nos conceitos acerca do entendimento sobre discurso na ADF, de Pêcheux, e teoria do discurso, de Foucault; por fim, Foucault também embasa nossa pesquisa com seus estudos acerca da produção de poder e saber sobre o corpo de indivíduos e populações, a partir do conceito de biopolítica. Com o mapeamento dos textos verbais e não verbais, a identificação das convocações biopolíticas presentes nos corpora e a categorização destas (imperativo da felicidade; necessidade de melhoria contínua; corpo belo e saudável; questionamento do status quo), utilizamos as seguintes chaves de análise para problematizar a produção social de sentidos promovida pelas publicações: dito e não dito, condições de produção e positividade. Identificamos que CLAUDIA e TPM mobilizam estratégias de comunicação e consumo para produzir discursos de convocação biopolítica, porém os formatos e estratégias utilizadas são diferentes em cada publicação, assim como os contratos de comunicação e as formas de interpelar suas leitoras. As convocações da revista CLAUDIA enfatizam o cuidado de si no âmbito individual, o contrato de comunicação concebe uma mulher que precisa ser guiada, e  as estratégias textuais utilizam predominantemente a função conativa da linguagem. Por sua vez, as convocações da TPM vão além do cuidado de si e interpelam a leitora para a gestão da  vida no âmbito social. Os dois modos de convocação, apesar das diferenças, imputam ao sujeito a responsabilidade sobre seu corpo, tanto no que se refere aos cuidados acerca da beleza quanto da saúde e da produtividade, o que, na dinâmica do capitalismo contemporâneo, identificamos como uma forma, mesmo que controlada, de poder do sujeito sobre o próprio corpo.

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