Conexão com a marca ou afinidade com o país?
Home Dissertações

Conexão com a marca ou afinidade com o país?

Conexão com a marca ou afinidade com o país? Influencias na intenção de compra de marcas dos Estados Unidos

Sergio Garrido Moraes

Orientador(a): Vivian Iara Strehlau

O objetivo do presente estudo é avaliar o que teria maior impacto na intenção de compra de produtos de um país: os aspectos relativos ao país de origem, tema vastamente pesquisado no marketing internacional, ou os aspectos relativos a marca, cuja relevância vem sendo apontada por autores como Samiee, Usunier e Diamantopoulos, às vezes em detrimento do próprio conceito de efeito país-de-origem. Para atingir esse objetivo, a revisão da literatura  indicou como constructos relevantes para avaliar o impacto do país os de imagem de país e afinidade com país; para avaliar o impacto da marca, os constructos foram personalidade de marca e conexão do self com a marca. Esses constructos podem ser classificados como predominantemente afetivos (afinidade e conexão do self) e cognitivos (imagem e personalidade). Como país a ser avaliado, foi escolhido os Estados Unidos, pois é a origem das marcas mais valiosas do mundo, e muitas delas agregam à construção de sua identidade aspectos da cultura americana. As marcas selecionadas foram Apple, Levi’s, e McDonald’s, todas de alta penetração no segmento estudado (jovens), e em evidência tanto no cenário econômico e cultural (altas vendas, alto valor, formadoras de tendências), quanto acadêmico e político (artigos, livros, manifestações antiamericanas). A metodologia empregada constituiuse em um survey realizado com 367 estudantes universitários da cidade de São Paulo, que também se caracterizavam como público-alvo das marcas estudadas. O tratamento e a análise dos dados foram realizados mediante o uso do modelo de equações estruturais, pelo qual foram testadas relações de causalidade entre constructos relativos a país e marca com a intenção de compra dessas marcas. Os resultados demonstraram maior influência na intenção de compra dos constructos predominantemente afetivos e, entre estes, o constructo conexão do self com a marca mostrou-se especialmente forte e significativo. Constructos tradicionalmente estudados no marketing, como personalidade de marca e imagem de país não resultaram em impactos significativos na intenção de compra. Esses resultados, no entanto, podem variar de intensidade dependendo da marca. Assim, o trabalho conclui afirmando que a marca, especialmente aquelas de alto brand equity, teria maior força na determinação da intenção de compra do que os constructos relativos a país. A pesquisa, no entanto, não pode ser generalizada, pois investigou um grupo não representativo da população, mas oferece indicativos que podem ser ampliados em novos estudos, como a investigação de marcas de frágil brand-equity, de outros países, de outros segmentos de mercado e de outras categorias de produto.