Comunicação, consumo e mobilizações contemporâneas
Home Teses PPGCOM - 2017

Comunicação, consumo e mobilizações contemporâneas

Comunicação, consumo e mobilizações contemporâneas : Representações midiáticas da multidão em contextos de resistência

Francisco Silva Mitraud

Orientador(a): Tania Hoff

O objetivo desta pesquisa é problematizar a representação midiática das mobilizações contemporâneas, por meio de um objeto que denominamos corpo-multidão. Nosso problema é compreender quais sentidos são produzidos, principalmente pela mídia impressa, em relação às multidões que se articulam para resistir ao hegemônico. Para tanto, realizamos uma revisão de literatura, a fim de constituir uma cartografia de conceitos sobre os coletivos humanos desenvolvidos por pesquisadores que se dedicaram ao tema, desde Roma e Grécia aos dias atuais. Desde a antiguidade clássica, numerosos grupos de pessoas foram mantidos à margem do poder e do Estado. Na contemporaneidade, autores como Antonio Negri e Michael Hardt, Maurizio Lazzarato e Paolo Virno, partindo da conceituação de Baruch de Espinoza, refletem sobre as mobilizações, que confrontam o hegemônico no final do século XX e início do XXI, e concluem que essas multidões surgem como resposta e possibilidade de novas formas de democracia. Nessa perspectiva, as multidões têm no corpo a expressão de sua natureza, posto que é de seu caráter plural e heterogêneo que emana sua biopotência. Outrora o corpo, na sua singularidade, poderia resistir e representar um coletivo – Gandhi e Mandela, por exemplo. Na pós-modernidade, em contexto de centralidade da mídia, sua preponderância nas relações de poder permanece, mas mobilizado para constituir com outros corpos a multidão biopotente. Para responder ao problema da pesquisa, constituímos um corpus com imagens fotográficas e textos de jornais, revistas e mídia alternativa que veicularam notícias sobre as manifestações no Brasil em 2013 e em 2016. Para analisá-lo, utilizamos fundamentalmente a teoria-método da Análise de Discurso de Linha Francesa, com destaque para o conceito de intericonicidade proposto por Courtine. A revisão de literatura e o corpus evidenciam que os sentidos atribuídos à multidão são instáveis. Por meio dos achados, concluímos que, embora a multidão contemporânea seja caracterizada por sua pluralidade e heterogeneidade, a todo momento há deslocamento de sentidos, produzido por composições imagético-textuais que a vinculam a sentidos precedentes e silenciam sua natureza e biopotência. A recorrência dessas composições foi objeto de análise, cujos resultados levaram à proposição de seis categorias sobre os modos de produção de sentidos. A análise revela ainda haver uma impossibilidade ontológica da representação imagética das multidões, e que a mídia impressa não apenas coopta seus discursos, bem como produz sentidos antagônicos à sua natureza, normalmente dando ênfase à violência, à ilegalidade e desqualificando seus objetivos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *