Avaliação da aceitação de alimentos com insetos por consumidores paulistanos
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Avaliação da aceitação de alimentos com insetos por consumidores paulistanos

Avaliação da aceitação de alimentos com insetos por consumidores paulistanos

Sofía Naranjo Ruiz

Orientador(a): Mateus Canniatti Ponchio

A escolha de alimentos é um processo que envolve forças psicológicas, sociais, culturais, econômicas e biológicas. A aceitação dos alimentos está relacionada com a intenção de consumo de um produto determinado. No caso do consumo de insetos na dieta humana, estudos têm demostrado que essa prática traz benefícios nutricionais, ecológicos, sociais e econômicos, além de ser uma alternativa promissora para contornar a escassez de alimentos. No  entanto, o consumo de insetos no Brasil não é comum e possui uma percepção negativa. Sendo assim, o objetivo da pesquisa foi estudar a disposição de aceitação de alimentos com insetos entre consumidores paulistanos, considerando a aparência do inseto, a apresentação dos benefícios de seu consumo, a renda e a ocasião de consumo. A pesquisa foi desenvolvida em duas etapas. A primeira considerou grupos focais que procuraram obter informação sobre as opiniões do consumo de insetos na dieta paulistana. A segunda contemplou o desenvolvimento de dois experimentos on line. O primeiro experimento teve desenho 2x2x2 com participação de 206 indivíduos. As variáveis estudadas foram: renda (menor e maior), aparência do alimento (inseto não visível e visível) e comunicação dos benefícios (ausente e presente). O segundo experimento contou com um desenho fatorial 2×2, com 243 indivíduos, considerando outra forma de avaliar a visibilidade e o local de consumo. Os fatores e seus respectivos níveis foram: aparência do alimento (inseto não visível e visível) e local de consumo (casa ou restaurante asiático). Os resultados mostraram que os consumidores de maior renda têm melhor aceitação que aqueles de renda menor (F[1, 205] = 40,715; valor-p ˂ 0,001). A comunicação dos benefícios do consumo de insetos também foi significante e resultou em maior aceitação (F[1, 205] = 32,017; valor-p ˂ 0,000). O consumidor teve melhor disposição de aceitação quando foi apresentado o alimento sem visibilidade do inseto em relação ao alimento com o inseto visível (F[1, 242] = 54,97; valor-p ˂ 0,000). Finalmente, os resultados confirmaram que a disposição de aceitação do consumo de insetos é maior no local pouco tradicional, sendo preferido o restaurante que a casa do consumidor (F[1, 242] = 9,46; valor-p ˂ 0,002). A pesquisa permitiu encontrar evidências de fatores que influenciam positivamente a aceitação do consumo de insetos. Sendo assim, a disposição de aceitação é maior considerando: apresentar os benefícios da produção e consumo de insetos; estar dirigidos aos consumidores de alta renda; fornecer alimentos com baixa visibilidade dos insetos, sendo utilizados como  ingredientes  em alimentos processados, sem alterar a aparência tradicional do produto; e ser oferecidos em locais como restaurantes. Finalmente, os resultados constituem uma contribuição acadêmica para a área de comportamento do consumidor, ao expandir as evidências acerca do modelo de Furst et al. (1996) e fornecendo resultados de variáveis que afeitam o consumo de insetos que ainda não tinham sido estudadas. No nível gerencial, os resultados apresentam informação  para a indústria de alimentos e para instituições governamentais e filantrópicas. Com os resultados obtidos, as estratégias de comercialização e marketing para produtos de alimentos com insetos podem ser estabelecidas com maior clareza.

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